6.30.2005
“Guerra dos Mundos
Alguns dos improváveis leitores deste blogue virulento conhecem meu apreço por H.G. Wells e, dentre suas obras, 'Guerra dos Mundos', de 1898 (possuo uma cópia bastante antiga e especial). Sobre a adaptação cinematográfica de 1953, de Byron Haskin (opinião minha que pode ser lida em "Alimento para o espírito", na Ilha), eu disse que "o livro é assustador, pois nos coloca na pele de uma testemunha ocular, um cidadão comum, que nos narra (com as parcas informações de que dispõe) o pesadelo da invasão alienígena. O filme só mantém o pesadelo."
Bem, o filme do Spielberg se mantém bastante fiel à essência do livro; e, para meu agrado, se manteve até mesmo no final (graças a Deus que não foi Tim Burton o diretor). E isso é complicado atualmente, após um bocado de coisas que já foram feitas no cinema (um amigo, ao assistir ao trailer do 'King Kong', do Peter Jackson, me perguntou que "miscelânea de 'Jurassic Park' e 'Indiana Jones'" era aquela...) e a sutileza dos germes com os quais mantemos uma guerra diária e aprendemos a nos defender ao longo de milhares de anos de evolução, e que Spielberg usou com mestria.
E é dessa árdua tarefa (fazer um arrasa-quarteirão que se mantenha fiel, em qualidade, à essência de uma obra com mais de 100 anos, que não é tão palatável assim ao grande público sedento por muita ação e heróis destemidos) que dou um desconto aos momentos mais clichês que vão surgindo pela parte final. Há uma espécie de outro final, com um ato heróico, para saciar a quem foi assistir a isso; mas o medo, a impotência e a auto-preservação são o mote constante, e muito bem ilustrados com cenas desconcertantes (a "chuva" de peças de roupas, o avião caído no meio de uma rua mas sem os corpos e a ramificação feita de sangue humano são típicas de um pesadelo).
É um bom filme e uma grande adaptação. Spielberg não amarelou.”
delirado por: AL EDUARDO
6:49:00 PM
Fodasses:
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6.5.2005
“Mulher boa é mulher boa
A Revista Claudia, a maior e mais importante revista feminina do Brasil, apresenta seu novo slogan: "Independente sem deixar de ser mulher".
No filme da campanha uma mulher está na cozinha preparando um lanche, enquanto um homem (provavelmente seu marido) está na sala lendo algo. A mulher abre uma lata, pensa duas vezes, a fecha e vai pedir ao homem para abri-la (pois um dos aforismos da Guerra dos Sexos diz que homem serve para abrir as latas que as mulheres não conseguem abrir sozinhas), e ai então o filme fecha com o tal slogan.
Bem... sei que é uma piada (que soa até bastante pretensiosa), mas acho que temos ai um paradoxo sério, uma idéia machista e que sustenta justamente a "inferioridade" feminina. Ser mulher é ser dependente?”
delirado por: AL EDUARDO
2:25:22 PM
Fodasses:
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5.4.2005
“[WITH_TEETH]
Escrevo isso um dia antes de sair o novo álbum do Nine Inch Nails (banda de que gosto bastante, como bem deve saber o improvável leitor deste blogue desdentado), e algumas semanas depois de já ter o mesmo em mãos, tempo o suficiente para dar meu desinteressante parecer.
Quando ele começou a tomar forma em meus ouvidos, tive a impressão de que estava à sombra do anterior, 'The Fragile'. Mais adiante, achei que mesmo possuindo qualidades diferentes dos outros trabalhos da banda (tanto nas letras quanto nas melodias), 'With_teeth' possuía a essência dos dois de seus álbuns mais notáveis (e que se seguiram), 'The downward spiral' e 'The Fragile', mas sem ser impactante e destrutivo quanto o primeiro ou ter o fôlego e a ousadia da obra-prima que é o segundo (ainda continuava na sombra).
Bem, fôlego Trent Reznor teve tempo suficiente para recuperar nesses últimos 6 anos, mas parece ter preferido, no final das contas, não usá-lo, tendo feito então um álbum mais calmo e acessível, mais melódico, onde metade soa como um NIN diferente, metade como uma coletânea de músicas deixadas de fora dos álbuns citados anteriormente.
Um dia antes do lançamento oficial, 'With_teeth' me soa agora como um "lado B" do NIN. E gostei muito!
Destacaria a porrada 'You know what you are?', 'The hand that feeds' (apesar de sua batida vulgarmente "pop"), a carregada (no bom e no mau sentido) 'Every day is exactly the same', a auto-reflexiva 'Only' (que mais parece coisa feita pelo Devo), a bacana 'Sunspots', a hipnotizante e bela 'Beside you in time' e a 'Hurt'/'The great below' da vez: 'Right where it belongs', que não deixa nada a desejar em sua forma própria.”
delirado por: AL EDUARDO
2:09:40 AM
Fodasses:
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3.13.2005
“Carole Lombard
Quando me perguntam sobre uma bela atriz do cinema, costumo citar o nome de Carole Lombard (bela em todos os sentidos), e costumo ouvir como resposta um "quem?" ou "não conheço", "não me lembro dela".
Natural, talvez; pois o fato é que sua carreira foi prematuramente interrompida, no auge, aos 34 anos, num trágico acidente aéreo no dia 16 de janeiro de 1942, deixando viúvo seu então esposo Clark Gable.
Não pretendo aqui fazer uma biografia dela, mas apenas transcrever um trecho de '1933 foi um ano ruim', de John Fante, onde fui encontrar alguém que compartilha comigo tal apreço.
Peço agora licença à John Fante para colocar neste cantão imundo sua bela narrativa citando a musa, mas não sem antes, brevemente, indicar dois filmes com ela: 'Irene, a teimosa' ('My man Godfrey', 1936), uma comédia ácida de Gregory LaCava, e 'Um casal do barulho' ('Mr & Mrs Smith', 1941), a comédia romântica de Hitchcock (de quem era grande amiga). Carole não era só glamourosa, mas também uma comediante dotada de inteligência e personalidade.
O trecho do livro, enfim (e que se preste à homenagem):
"O sono não vinha enquanto eu me virava de um lado para o outro, e minha mão acabou esbarrando numa coisa sob o travesseiro de August [o irmão mais novo do narrador]. Tirei-a cuidadosamente de lá. Era um envelope marrom. Há meses eu estava procurando aquele envelope misterioso, sabendo que ele o mantinha escondido, seu bem mais secreto.
Ele dormia profundamente, de boca aberta; me sentei e abri o envelope. Eram fotografias brilhantes de Carole Lombard, uma coleção variada, curiosamente luminosa naquela clara luz gelada. Ela aparecia em trajes de banho e vestidos de baile, com chapéus grandes e trajes de pirata, a cavalo e em lanchas de corrida, de lingerie na ponta dos pés.
Então descobri o verdadeiro motivo para o segredo de August. Alguns dos retratos estavam autografados com a letra dele. "Para o meu querido August, com adoração - Carole." "Para August, com amor eterno - Carole." "Para Augie, lembranças apaixonadas de noites em Malibu - Carole." "Querido August: faça o que quiser comigo. Sou sua de corpo e alma. Sua Carole."
É de se esperar que você dê risadas de tais coisas, porque elas fazem você parecer um bobo. Olhei-o de boca aberta, sua respiração soltando vapores frios. Os autógrafos não eram engraçados. Ele havia escrito coisas tristes, coisas íntimas, sagradas demais para que qualquer outro as visse. Ele estava com quinze anos, e eu havia me acostumado a tratá-lo como se não estivesse com mais de cinco ou seis. Todavia, ali estava ele, apenas dois anos mais moço do que eu, sonhando com Carole Lombard tão intensamente quanto eu sonhava com beisebol. Me enchi de ternura. Curvei-me sobre ele e beijei sua testa gelada. Então coloquei as fotos de volta no envelope e deslizei-o para baixo do travesseiro dele."”
delirado por: AL EDUARDO
3:46:07 PM
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12.19.2004
“Em algum lugar do passado
Estava eu sossegado lendo meu livro no metrô quando, entre as estações Glória e Cinelândia, uma senhora, de pelo menos 80 anos, acompanhada por sua filha, parou perto de mim, que jazia em pé encostado em uma das paredes.
Reparei que ela não tirava o olhar de mim; até que por fim veio ter comigo. Segurou uma de minhas mãos e, sempre contente, me disse que eu lembrava muito (inclusive pelos trajes, como ela frisou), o grande amor da vida dela.
No pouco tempo ela conseguiu contar que o conheceu aqui no Brasil, e que, deveras apaixonados, marcaram o casório. O sujeito (que, pelo que entendi, era português), teve de ir à Portugal e então nunca mais voltou (e acho que nem deu sinais).
Ela estava realmente emocionada (feliz) em ver a imagem dele em mim (ainda mais jovem, que deve ser a única lembrança dele). Então ela me perguntou o meu nome, e eu respondi Carlos! (engraçado não ter dito Eduardo), e ai vem o mais esquisito, pois ela disse: "Não, ele não é Carlos, é José. José Almeida."
Bem, o metrô já estava na Cinelândia e ela teve de ir, sem saber (pois preferi não dizer) que José Almeida era o nome de meu pai. Um capricho na curiosa coincidência.”
delirado por: AL EDUARDO
12:34:31 PM
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12.15.2004
“Estrella Damm
Será que um dia poderei falar bem das propagandas de cerveja brasileiras? Depois do debilóide "Nã Nã Nã Nã" da Brahma temos a Nova Schin dando a pala de que não entende mesmo nada de cerveja, ao dizer que a "boa é a nova" (ou o que o valha), e atacando a idade das cervejarias e conseqüentemente da qualidade de seus produtos.
Tudo bem que as "velhas" são Antarctica e Brahma, mas quero ver é falarem isso da deliciosa Chimay, por exemplo, ou do espetáculo Guinness, que vem desde meados do século XVIII. Ou quem sabe da Weihenstephan, bebida há quase 10 séculos!!
Nesta batalha idiota eu encontro alento (para beber, inclusive) em outros sítios; e foi quando assisti ao comercial da espanhola Estrella Damm, que valoriza sua história. Um barato, que o improvável leitor deste caduco blogue poderá assistir (numa qualidade assistível) aqui. Ai sim temos um publicitário que merece o que ganha (se ganha bem, claro).
E.t.: Cabe lembrar que a Alemanha possui o decreto em vigor mais antigo do mundo, o Reinheitsgebot, que data de 1516, e que afirma que a cerveja lá produzida só pode ter quatro ingredientes: lúpulo, cevada, levedura e água.”
delirado por: AL EDUARDO
4:12:08 PM
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11.14.2004
“Necromania
A revista eletrônica pornográfica Fleshbot está de posse de uma raridade: um dos filmes pornôs que Ed Wood escreveu, produziu e dirigiu, e que esteve perdido até agora, quando foi achado, remasterizado e lançado em DVD. Se chama 'Necromania' (1971), e trata de um jovem casal com problemas (ele parece estar impotente) que recebe a bizarra ajuda de uma necromante, a Madame Heles. Maiores detalhes no próprio Fleshbot. O DVD, claro, já consta na minha lista de desejos.”
delirado por: AL EDUARDO
6:49:07 PM
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10.28.2004
“A Ordem Jenny
OK, era somente com caneta e giz de cera (e as vezes xilogravura com o auxílio da ponta mais contundente do compasso); nunca com a tinta. Mas ainda assim algumas paredes, portas e afins foram sujas com o BOMBA, que era escrito quase no formato de uma galáxia como a nossa. Ah, tempos bárbaros... crianças infernais que demarcavam território, como por instinto, nos locais mais obscuros, como a escada de incêndio. O BOMBA era realmente para demarcar território, ou ao menos para se fazer presente nele, quando quase a totalidade dos colegas e amigos faziam o mesmo. Enfim...
Mas depois teve algo que fiz com gosto, que foi poluir portas de banheiros com o "867 5309 (Jenny)". Não sabia quem mais rabiscava isso, mas sabia que no Mundo algumas outras mentes (dementes) teriam a mesma idéia. A delícia estava não só em imaginar se alguém acabaria ligando para esse número, como também estar certo de que eu fazia parte de uma ordem secreta (e não declarada) de criaturas que escreviam isso nas portas de banheiros mundo afora.”
delirado por: AL EDUARDO
3:20:47 AM
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10.16.2004
“Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar...
Como (não) se pode ver nesta foto, falta o busto em bronze de Vicente Celestino sobre sua campa. Foi roubado!
Ah! Pois como ficamos então agora!? Aonde, após esbórnia, os ébrios loucos como eu irão depositar os seus segredos e suas lágrimas de dor ao peito amigo? E eu que já tanto zelei pela campa do finado Celestino! Absurdo! Malditos meliantes!
Bem comenta o historiador Milton Teixeira sobre o assunto: "Ainda bem que o Cardeal Arcoverde não quis que o Cristo Redentor fosse feito de bronze, para não atiçar a cobiça dos ladrões. E isso em 1920! Se continuar assim desse jeito não vamos ter mais o que mostrar."”
delirado por: AL EDUARDO
3:39:10 PM
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10.4.2004
“Pornokrates
"Hold her tight, the selfish little brat, otherwise she'll forget me completely and I'm about to come!"
Esta e outras delícias pornográficas estão no Pornokrates, um pequeno exemplo da arte e da literatura "como descrita pelas prostitutas", entre os séculos XV até começo do XX.
Enjoy!”
delirado por: AL EDUARDO
5:35:30 PM
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8.19.2004
“Vida de cão
Sim, o título é também uma metáfora para a vida que levam os cães em Cholula, México. E a vida que levam os cachorros lá serve também de metáfora para cães, gatos e até gente em muito canto desse mundo.
Bem, é mais fácil conferir aqui o que digo. As fotos dos cães sendo eletrocutados são dolorosas (o cão da foto acima que o diga, ou diria...)”
delirado por: AL EDUARDO
5:47:40 PM
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7.18.2004
“Fotografias do Caos e do Inferno
Eu já elogiei aqui as fotografias de Antônio Duarte, e acho que elas merecem destaque novamente, pois as séries 'O caos nosso de cada dia' e 'Uma temporada no inferno' são de... atarantar.
A fotografia que ilustra este comentário (que pode ser conferida aqui por completo) me é bastante perturbadora, por exemplo.
Outra dica de um ótimo instantâneo é esta aqui.
Como informa o próprio Duarte, as fotografias foram feitas no período de 1989 a 1992, quando ele se iniciava no foto jornalismo. Mas que de lá para cá, pouco ou nada mudou. :-/”
delirado por: AL EDUARDO
12:53:30 AM
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7.17.2004
“Columbinos (corrompidos)
Peço licença à Skylar e digo que o testemunho que agora segue está ao som de 'A warm place', do Nine Inch Nails. Acho que cai bem.
Ontem (16.07.2004), na estação Carioca de metrô, um elemento inusitado quebrou a rotina das dezenas de pessoas (onde me incluo; não como pessoa, mas como criatura que as acompanhava) saindo dos vagões e seguindo às escadas-rolantes: um pombo (Columba livia) encontrava-se posto na plataforma.
Era ou um filhote, quando eles já estão grandes, quase do tamanho de um adulto, ou um adulto doente. De esperto ele não tinha nada, encontrando-se em um estado de ânimo bastante jururu. As pessoas ficaram todas muito comovidas, causando inclusive um engarrafamento nas escadas, para meu humor...
Mulheres diziam daqui e dali "coitadinho", e um cidadão (ou dois) foi lá tentar pegar o bicho. Enquanto pedia, por obséquio, que me dessem passagem, pensava com minhas pulgas: "Se fosse uma criança (carente, molambenta e magoada, não um "fofinho" bem nutrido que se perdeu da mãe, claro) estariam a chamar a segurança.
Mais tarde, quando tomava um chope com meu amigo Antônio Lobo, lembrei-me do ocorrido pela manhã ao ver um menino sentado em uma das mesas do boteco com sua cabeça deitada à mesa. Ele tentava tirar um cochilo, devia ter lá seu 10 anos, levando nas costas uma mochila maltrapilha (com ilustrações do universo das meninas, mostrando que aquilo não foi escolhido por ele) e, junto aos pés, uma caixa de madeira, onde guardava a escova e a cera de engraxe.
Comentei com o Lobão sobre o pombo e ele respondeu: "Se fosse uma criança (carente, molambenta e magoada, não um "fofinho" bem nutrido que se perdeu da mãe, claro) estariam a chamar a segurança". Apontei então o menino e disse como realmente era comovente tudo isso, que aquela hora, nos meus 10 anos, eu já estaria jantado, feliz por ser sexta e não ter aula no dia seguinte, me entretendo com alguma coisa em meu quarto. Lembrei da expressão de uma das senhoras na estação de metrô, quase aos prantos. E, nesse contexto, as coisas se tornaram bastante loucas.
Mais tarde o menino resolveu continuar seu trabalho e veio oferecer seus serviços a mim (minhas botas são um prato cheio para engraxates). Neguei, claro; não vou pagar para criança fazer isso.
O pombo? Não vi que fim levou, mas comoveu a um bocado de gente aquele dia.”
delirado por: AL EDUARDO
11:30:33 AM
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7.7.2004
“De que morte horrível de Edward Gorey irei eu morrer?
A resposta é a de que eu irei engolir algumas tachinhas. Gentis, ainda dizem que sou um pouco estranho, e nem tanto no bom sentido. Também sugerem que eu compre uma gravata amarela e coloque-a na cabeça. Acho que não.
Mas o barato é que a cena acima (naturalmente do desenhista Edward Gorey, que se o improvável leitor deste agourento blogue ainda não conhece deve tratar já de conhecer) é uma das que foi utilizada para o vídeo clipe de 'The perfect drug', do Nine Inch Nails, como se pode perceber abaixo (com o capricho de um Klimt ao fundo!). Aliás, todo o vídeo clipe foi baseado nos desenhos e personagens do Gorey.
Se quiser também saber de que morte horrível de Edward Gorey irá morrer, vá aqui.
P.s.: As mortes foram tiradas do simpático livro 'The Gashlycrumb Tinies', onde se poderá ver porque eu gostaria de morrer na verdade como a Zillah.”
delirado por: AL EDUARDO
5:54:38 PM
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7.5.2004
“Espelho, espelho meu...
Sabe quem é o sujeito ai na foto ao lado? Segundo o sítio 'ANALOGIA: Star Estimator', seria eu.
Explico; o sítio em questão é a parte divertida de um programa de computador sério, utilizado para reconhecer rostos de pessoas. Você coloca uma foto sua lá e ele retorna a foto de 3 personalidades que se pareçam contigo (segundo o tal programa).
A foto ao lado é um morphing que fiz aqui com os rostos mais recorrentes para minhas fotografias. O que acha o improvável leitor deste horrendo blogue que teve o assombro de me conhecer pessoalmente?
Se vale de nota (e isso é engraçado) pessoas que sempre se "pareciam" com minhas fotografias (com quase 100% de retorno) eram Russel Crowe e Orlando Bloom. E em uma fotografia em especial só dava o Tom Robbins. Nota-se que o programa ainda tem muito o que aprender, mas desde já é divertido.”
delirado por: AL EDUARDO
3:38:28 PM
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7.2.2004
“The horror. The horror...
Acabou-se Marlon Brando Junior! Mas ficam 'Uma rua chamada pecado', 'O selvagem', 'Sindicato dos ladrões', 'Os deuses vencidos', 'O pecado de todos nós', 'O último tango em Paris', 'O poderoso chefão', 'Apocalypse now' etc etc... enfim, um monte de filmes de que muito gostamos ou adoramos (estou certo de que o improvável leitor deste moribundo ploft blogt também) e que muito devem ao gênio (do forte, inclusive) de Marlon Brando. Quem mais poderia ser Vito Corleone ou coronel Kurtz? Sejamos gratos por isso!
Mande um abraço para Sheba, Brando! Até um dia!”
delirado por: AL EDUARDO
2:56:04 PM
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6.19.2004
“Quer morrer, porra?!
Há muito eu discuti com uma pessoa sua teoria sobre depressivos procurarem inconscientemente a morte (ah, a mesa de bar...) Discordei dos métodos que me foram descritos (algo como o sujeito se submeter inconscientemente à distração), mas compreendi, depois, que um sujeito depressivo (com gravidade) pode viver um eterno suicídio (talvez um "lento suicídio" funcione melhor), sabotando aqui e ali sua vida, com auto-flagelo em todos os aspectos, se destruir em vida enquanto a morte não chega.
Bem, muito tempo depois calhou d'eu ler sobre as estatísticas de morte, e havia uma nota chamando a atenção para um detalhe: xis porcento daquilo era, especulava-se, causado por distração. Não havia associação com a depressão, mas atentavam para as pessoas que costumam ser distraídas ou que, em um lapso, se distraiam no momento errado.
A porcentagem era relevante; pessoas que perderam suas vidas porque simplesmente se distraíram! E, pelo que se avaliava, elas dificilmente tomam conhecimento do que ocorreu; morrem quase que de imediato.
Entenda-se por distração o seguinte: Certa vez eu peguei uma garrafa (600ml) de guaraná na geladeira, agitei bastante antes de abrir (a última coisa, fora água, que havia pego lá fôra uma garrafa de Gatorade) e descobri tarde demais a besteira que havia feito. Por sorte era refrigerante. Mas há muito tempo, simplesmente atravessei a Dona Mariana como se por ali não passassem carros. Era tamanha minha distração que nem mesmo o som dos pneus travados no asfalto me assustou. Continuei o caminho como se nada tivesse acontecido (sorte a minha) e sob os protestos do motorista que gritava: "Quer morrer, porra?!"
"Quer morrer, porra?!" - Quem sabe a pergunta não proceda, e a menina com quem havia discutido a questão, há muito tempo, não estivesse certa...”
delirado por: AL EDUARDO
3:22:31 PM
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6.11.2004
“Tradução literal
Caros e improváveis leitores deste blogue espantalho, leiam, sob recomendações, os três parágrafos que seguem (sendo cada um o primeiro de um poema):
1
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais." (...)
2
Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro; (...)
3
Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria,
a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,
e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,
tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar.
"É alguém - fiquei a murmurar - que bate à porta, devagar;
sim, é só isso e nada mais." (...)
Pois bem, como o improvável leitor já deve ter percebido, trata-se do poema que marcou o nome de Edgar Allan Poe: 'O Corvo' (publicado pela primeira vez em 1845). O primeiro (1) foi a tradução de Fernando Pessoa, seguido (2) pela tradução de Machado de Assis e então pela de Milton Amado (3).
O primeiro parágrafo no original é assim:
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more." (...)
Como podem ver, a literalmente mais precisa é justamente a de Milton Amado; porém (como também puderam notar), sobra um problema: a poesia (existente em ritmo e rima na língua inglesa) que se perdeu.
Se Milton Amado procurou, com talento, manter a poesia às peias da correta tradução, Fernando Pessoa e Machado de Assis (como também Baudelaire, para o francês e Tremal-Naik para o klingon (sic)) fizeram suas próprias versões e responderam, com "sim", a uma pertinente questão: pode um poema ser traduzido?
Este exemplo mostra que nem sempre as palavras são o mais importante para a tradução, mas que é preciso muito talento para reconstruir tudo (sem perder a essência) a seu próprio contento; como não é o caso do que já escrevi bem mais abaixo ('Lost in translation'), comparando duas traduções para um conto de Philip K Dick.
Particularmente prefiro, com uma cabeça de vantagem, a tradução de Machado de Assis. Bem sei que é a de Fernando Pessoa a que melhor mantém o ritmo e a rima, mas a de Machado de Assis reconstruiu muito bem o clima de Poe. E sobre a de Milton Amado, agora resta a questão: tem valia a literal tradução?”
delirado por: AL EDUARDO
3:38:18 AM
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6.3.2004
“Urubu
O texto que segue não é meu (pelo talento no uso da pena, logo irão ver), mas bem que eu gostaria de ter escrito. O autor é Tom Jobim, e está publicado na contracapa de seu álbum 'Urubu'.
"Jereba é urubu importante como, aliás, todo urubu. Mas entre eles, urubus, observam-se prioridades. E esse um é o que chega primeiro no olho da rês. Sem privilégios. Provador de venenos, sua prioridade é o risco. O que ele não toca é intocável. Jereba é urubu importante e por isso ganhou muitos nomes. Peba. Urubupeba. Urubu Caçador. Achador. Urubu Procurador. Urubu de Cobra. Urubu de Queimada. Camiranga. Urubu de Ministro. De cabeça Vermelha. Urubu Gameleira .Urubu Peru. Perutinga. Urubu Mestre. Cathartes Aura.
Não confundir com Urubu Rei. Nem é Urububu. Não tem pompas, nem é tão igual assim. Só se parece consigo mesmo.
Não é Urubutinga. Nem Urubu do Mar, Carapirá. Nem o de Cabeça Amarela, nem o famoso Urubu Chacareiro, que voa baixo sobre chácaras e quintais, só come manga e não existe. É mentira de caçador perna-de-pau, de cadeira de balanço, de aposentada carabina.
Nem mera citação de nomes - Urubu Sonho. Nem conotação de azar - Urubu Morcego. Na verdade não és culpado da nossa devastação. Corcovado de duas corcovas, solenes ombros altos de tanta asa sobrante, as mãos cruzadas às costas, narinas conspícuas vazadas, grave, ministro de assuntos impossíveis, só tu sentas à mesa com o Rei.
No chão não te moves bem. Fraco de pernas, maljeitoso, troncho, pousado és o mais feio dos urubus. Despropositado passarão.
Matas com fezes ácidas a árvore onde dormes à espera do dia solar. E vem o dia, as termais e o vento, e a necessidade de voar.
Dia velho, as asas aquecidas, o Jereba mergulha na piscina. Pé de serra, fim de baixada onde começa a ladeira e os contrafortes azulam na distância, o Jereba sobe na chaminé do dia. Urubupeba. As rêmiges das asas púmbleas, prata velha fosca, dedos de mão apalpando o vento, adivinhado tendências. Urubu Mestre. As grandes asas expandidas cavalgam as bolhas de ar quente emergentes da ravina. Tolo papagaio, tola pipa boiando no ar, não-querente, não desejo navegante, à deriva, à bubuia - pois sim! - preguiçoso atento dormindo na perna do vento. Esse sabe o que há de vir. Aquário do céu.
Teu canto imita o vento. Hisss... As asas agora curtas, sobraçando trilhos de ar, pacote negro compacto, bico cravado no vento, velocidade feita letal, muro de azul aço abstrato - e adeus viola que o mundo é meu.
Nas lentes dos olhos, a águia oculta y entrabas e salias por las cordilleras sin pasaporte.
Urubu procurador. Urubu Achador. Que sabes do alto o que se esconde no chão da mata virgem e dos muitos perfumes que sobem do mundo.
Eterno vigia de um tempo imperecível. Guardião de dois absurdos.
Nos vetustos paredões de pedra, esculpidos pela millennia, dorme de perfil um urubu.
A vida era por um momento.
Não era dada. Era emprestada.
Tudo é testamento."
Antonio”
delirado por: AL EDUARDO
11:23:50 PM
Fodasses:
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5.22.2004
“Tão perto e tão longe...
Eu não costumo apostar em jogos de azar, mas os vinte e tantos milhões de reais acumulados no concurso 0564 da Mega Sena estavam bastante sedutores para minha vida perdida. Apesar da probabilidade em se tirar o grande prêmio ser de um em 50.063.860, resolvi apostar (o detalhe do meu bilhete de aposta é a imagem acima).
Agora, azarados leitores que vieram cair aqui por essas bandas, prestem atenção aos números da linha "A", pois, pasmado, informo os números que foram sorteados (em 20 de maio de 2004) para este concurso: 10 - 13 - 20 - 32 - 38 - 49.
Percebem a grande troça do azar?
Dificilmente eu ganho. Só perco, e geralmente com caprichos de ironia. Mas dessa vez o urubu que pousou em minha sorte (oh!, perdão amigos urubus, não queria ser pejorativo!) caprichou.
Isso me deu muito o que pensar, principalmente sobre a estatística e a probabilidade, respectivamente um ramo da matemática e um quociente de possibilidades que, sem nos darmos conta, tanto orientam nossas vidas, e que brincam bastante com a razão.
Por exemplo, o concurso 0564 continua acumulado; será que eu deveria repetir meu jogo (o da linha "A") então no concurso 0565? Será que eu até deveria apostar depois disso? Algo em nós (a estatística) dirá que não, como se tivéssemos o poder da previsão. Pouco consideramos a probabilidade, que diria sim, já que todo evento é independente.
Se após 6 jogadas de cara-e-coroa o resultado ter sido somente "cara", em qual você apostaria as suas fichas na jogada seguinte? A estatística tenderia a equilibrar as jogadas em 50% (o que faria com que as 6 jogadas seguintes dessem "coroa"), o que é muito esquisito se trouxermos isso ao nosso quotidiano.
Enfim, se a estatística não me soa favorável, devo ter em mente que a probabilidade ainda guarda a esperança (mesmo que ínfima).”
delirado por: AL EDUARDO
8:31:48 AM
Fodasses:
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5.18.2004
“Quem canta, seus males espanta
Se a aranha é o mal, Johnny Cash é a solução!
Enfim conferi o vídeoclipe para a canção 'Hurt', e fiquei encantado.
Faz-se necessário contextuar as coisas. Johnny Cash, como bem sabe o improvável leitor deste assombrado blogue, foi um dos nomes mais influentes da música country, tendo criado até mesmo seu próprio gênero. Emplacou mais de uma centena de sucessos ao longo de seus quase 60 anos de carreira. Bem, não vou me prolongar aqui em quem foi Johnny Cash (o Man in Black, como era chamado). O que alguns não sabem, é que no meio do caminho ele teve sérios problemas com drogas ilícitas (começou tomando anfetaminas para suportar a agenda de quase 300 apresentações por ano e foi até a dependência de heroína), colocando sua vida em um círculo viciosamente destrutivo. Foi sua segunda esposa, June Carter, quem o tirou do buraco em que atolara e afundava. June morreu em maio de 2003; Cash, 4 meses depois, aos 71 anos.
Enquanto isso, do outro lado da esfera musical, Trent Reznor lançava, em 1994, a belíssima canção 'Hurt', que fala da autodestruição (por drogas) em versos tocantes ("I hurt myself today / to see if I still feel", é como começa). Johnny Cash, oito anos depois (debilitado, perto do fim de sua vida), tocado por aqueles versos, resolveu cantá-la e filmar um vídeoclipe.
E deu no que deu; uma versão que deixou a música ainda mais bonita e um filme comovente, que nos mostra um Cash frágil enquanto relembra seu passado em imagens de arquivo (lá também está sua esposa).
Como eu disse, fiquei encantado. Quem já assistiu sabe que é de se tirar o chapéu.”
delirado por: AL EDUARDO
7:38:38 PM
Fodasses:
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4.18.2004
“NIN 1984
Falando em '1984' e vídeo clipes, eu desconfio que o diretor Mark Pellington se inspirou na versão cinematográfica de 1955 (ou 1956, de Michael Anderson) do '1984' para fazer o belo clipe 'We're in this together' do Nine Inch Nails (gosto muito do clipe, da música e da banda :)
As duas fotos acima são respectivamente do filme (que pode ter seus 8 minutos iniciais conferidos aqui) e do clipe (que pode ser assistido aqui em sua versão alternativa*).
*Particularmente prefiro a versão original. Se alguém quiser, é só pedir, pois a tenho em boa qualidade e com 14Mb, que eu poderia disponibilizar em algum endereço.”
delirado por: AL EDUARDO
1:08:06 PM
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4.16.2004
“Orwell
Acima está o slogan do Partido (do livro '1984'), escrito pelo próprio Orwell. Em bom português diz: "Guerra é paz / Liberdade é escravidão / Ignorância é força" - seria profético, se a memória fosse curta...
Escrito, como está, mais parece um sinistro registro do tempo, um desabafo em manuscrito.
Esta preciosidade está no sítio 'Charles' George Orwell Links', um catálogo do que há de melhor na Internet sobre este brilhante autor, além de um ótimo conteúdo, como os ensaios, os livros completos e fotos raras, como a do original da primeira página de '1984'.
É para ter anotado na caderneta!”
delirado por: AL EDUARDO
2:01:32 PM
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4.8.2004
“Angels with Dylan
Alguns fãs do Dylan estão inconformados com seu anúncio para a loja de roupa íntima feminina Victoria's Secret. Acusam-no de ter-se vendido; afinal, como poderia este influente músico acabar vendendo lingeries, não é mesmo?
O autor de 'Lay lady lay' recebeu um gordo contracheque para, indiretamente, vender sua música ('Love sick' é a que está no comercial) e ainda contracenar com o anjo (anjo? ...não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos de todo o mal...) Adriana Lima em roupas íntimas!
E segundo o jornal 'The daily telegraph', o próprio Dylan já dissera a eles, em 1965, que se venderia por "roupa de baixo para mulheres".
Sujeito bom das idéias, eu diria.
O cara não está vendendo banco, carro ou outro produto qualquer da "vida perfeita"; está é vendendo esta coisa boa que é roupa de baixo para mulheres, capicce?; e em um anúncio que ainda ficou bacana. Não sei com o quê esses fãs estão inconformados. Deve ser por não estarem no lugar dele...”
delirado por: AL EDUARDO
3:55:13 AM
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4.3.2004
“O continente perdido de Atlântida (ou o arquipélago de Santorino)
Recentemente assisti a (mais) um documentário sobre o mitológico continente de Atlântida. Dessa vez, esse misterioso continente se encontrava no estreito de Gibraltar, praticamente bloqueando a entrada do mar Mediterrâneo. Bem, se lavarmos em conta que a faixa d'água neste ponto (separando Espanha de Marrocos) é de uns 15 km, deveria ser somente uma ilha mediana. E se uma civilização tão avançada tivesse nela existido, acho que teríamos vestígios da mesma na Espanha e em Marrocos, e não somente no fundo do mar, como sugerem os pesquisadores da vez.
O mistério de Atlântida me parece é uma fonte inesgotável de verbas para pesquisas oportunistas. Penso assim desde que li, há mais de 15 anos!, este texto, que trata sobre o fim da civilização minóica (o que mudaria o curso do desenvolvimento da civilização ocidental) e, por tabela, Atlântida e o Êxodo no Egito.
Até o momento, acho que o caso está encerrado.”
delirado por: AL EDUARDO
8:14:04 PM
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3.25.2004
“Here's to waiting
O 'BeerAdvocate.com' é um sítio que muito recomendo aos bebedores de cerveja. A coisa lá é levada a sério, tendo inclusive uma área educacional bastante interessante. Claro que tem também fóruns de discussão e uma tabela de notas; d'onde, veja só improvável leitor, a avaliação da Schincariol (que não é a Nova Schin), é um pouco melhor do que a avaliação da Brahma.
Isso só corrobora com a minha opinião, a de que nossas cervejas competem mesmo - em meio a contextos de uma juventude idiota - é para ver quem tem a mulher com mais mililitros de silicone, quem tem a musiquinha mais pegajosa, quem é a mais cínica e/ou descortês. Ninguém briga pelo sabor e qualidade da bebida; que final das contas acaba sendo tudo a mesma porcaria.
Devo falar então de um famoso e premiado comercial da cerveja Guinness (que já aprecio não é de hoje...)
O caso é o seguinte, um pint (500ml) de Guinness precisa de exactos 119.5 segundos para ser bem tirado, e isso representa uma longa espera para os ébrios irlandeses (o que dirá para os brasileiros com suas tulipinhas mal tiradas), que já estavam a reclamar da espera.
A Guinness não fez uma "New Guinness", não escolheu um par de mamas siliconadas e muito menos foi descortês com alguém. Pelo contrário, pegou o que estava se transformando em defeito, a espera, e retornou em qualidade (até porque aquela cerveja pode fazer isso sem dúvidas). Surge então o filme 'Surfer', que foi ao ar em março de 1999.
Nele, o Surfista e seus amigos aguardam pela onda perfeita. Quando ela finalmente chega, todos se lançam ao mar para surfá-la. Muitos ficam pelo caminho, mas ela é conquistada pelo Surfista, que termina comemorando tal feito com seus amigos. O visual e a direção do comercial são fantásticos. Se quiseres conferir, basta ir em "alimento para o espírito" - os cocos - na minha ilha (cujo a rota é esta).
O texto narrado no comercial foi tirado de 'Moby Dick', de Melville, e a transcrição é a seguinte:
He waits; that's what he does.
And I tell you what: tick followed tock followed tick followed tock followed tick...
Ahab says, "I don't care who you are, here's to your dream."
The old sailors returned to the bar, "Here's to you, Ahab!"
And the fat drummer hit the beat with all his heart.
Here's to waiting.
A Guinness nos mostra com esse filme que esperar pelo melhor também faz parte, e que são essas suas características; e ao provar dessa cerveja, você verá que a qualidade não está só na proposta ou nos comerciais.
Sláinte!”
delirado por: AL EDUARDO
1:07:58 PM
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3.23.2004
“Naked City
Em 1989, quando o Muro de Berlin era aberto, quando morria Salvador Dali e quando George H. Bush se tornava presidente dos EUA, John Zorn criava seu mais desconcertante projeto, a banda Naked City (Wayne Horvitz - teclados, Bill Frisell - guitarra, Fred Frith - baixo, Joey Baron - bateria, John Zorn - saxofone e Yamatsuka Eye - vocais)
Zorn é um compositor experimentalista, tendo o avant-garde (free jazz) como maior referência. Com Naked City (1989-1992), ele separaria águas ao homenagear grandes compositores (como John Barry, Ennio Morricone, Henry Mancini e Johnny Mandel) e fazer a fusão do hardcore/jazz/rock, criando álbuns onde composições na forma tradicional do jazz, ou mesmo avant-garde, podem repentinamente se tornar uma cacofonia absurda, acompanhada pelo vocal único de Yamatsuka Eye, que berra e esgoela-se como um louco. É tão divertido quanto perturbador.
A lista de álbuns criados pelo Naked City (que começou tocando ao vivo antes do lançamento de seu primeiro trabalho de estúdio) é repleta de curiosidades e experimentos:
Naked city - A foto da capa deste álbum (entitulada 'Murder in Hell's kitchen') é real, e foi tirada pelo fotógrafo Weegee ('Naked city' é o nome de um livro publicado em 1945 com fotografias suas).
Knitting factory 1989 - Basicamente o 'Naked city' ao vivo, além das composições 'Skatekey', que estaria em 'Radio' e dois covers; 'Erotico' (um tributo de Zorn a Ennio Morricone) e 'The way I feel'.
Grand Guignol - Este é um dos trabalhos mais controversos do projeto, e deveria ser o segundo 'Naked city'. Nele, Zorn explora o lado-escuro da criatividade humana. O teatro francês do horror (Le theatre du Grand Guignol) foi a inspiração para o conteúdo e título deste álbum.
Torture garden - Este é uma coleção dos mini-hardcores encontrados no 'Naked city' e 'Grand Guignol', com a diferença de que não há pausas na cacofonia.
Leng Tch'e - Inspirado nos escritos do novelista e filosofo francês Georges Bataille, que era obcecado por temas envolvendo sexo, tortura sexual, degradação, manipulação e violência, Zorn criou este álbum que consiste, na verdade, em uma única faixa de 30 minutos. As fotos que fizeram parte da arte de 'Leng Tch'e' - que é o nome de um método de sacrifício em que se corta em pedaços (leng tch'e) um sujeito alucinado pelo ópio - e de 'Torture garden', além das ilustrações (1, 2, 3, 4, 5) de Suehiro Maruo que acompanharam muitos dos trabalhos do Naked City, geraram problemas entre Zorn e o Comitê Contra Violência Anti-Asiática, que entendeu que as imagens passavam uma idéia degradante do povo asiático.
Heretic - Este se tornou posteriormente a trilha sonora para um misterioso filme sado-masô, feito por um diretor japonês de filmes pornô, amigo de Zorn.
Radio - Uma combinação de diferentes estilos musicais. Uma mesma faixa pode ir do funk ao jazz em mudanças repentinas. O título sugere este passeio pelas estações e estilos.
Absinthe - Depois de 6 discos mesclando barulho, jazz, hardcore e temas de trilhas sonoras, o projeto Naked City se despede com este álbum de música ambiente, mas sem perder a verve explorada em seus antecessores.
Bem, 15 anos depois, Naked City continua sendo uma das grandes referências da cena experimental. Merece ser conhecido e devidamente apreciado. Gosto muito! Mas não é indicado para ouvidos "sensíveis".”
delirado por: AL EDUARDO
12:45:19 AM
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3.13.2004
“Boje hrani Laiku!
Uma pequena biografia da mascote desse blogue:
A pequena vira-latas (huskie-mestiço) moscovita, com aproximadamente 3 anos de idade quando foi enviada ao espaço (3 de novembro de 1957, no Sputnik 2), ficou mundialmente conhecida e cultuada como Laika, apesar de seu nome real ser Kudryavka (Cachinhos). Huskies são chamados "laika" em russo, mas "laika" quer dizer também algo como "o que late". Confusos com as várias palavras russas, o mundo acabou por adotar o Laika. Outros apelidos dados a ela pelos cientistas russos foram Zhuchka (Besourinho), Kurdrajevskaya, e Limonchik (Limão), e jornais americanos na época a chamavam de Muttnik.
Laika foi o primeiro ser vivo lançado à órbita da Terra, e lá viveu de um a sete dias antes de morrer; ninguém parece ter certeza quanto a isso. Talvez tenha morrido de calor no dia seguinte após o lançamento, quando sua cápsula saiu da atmosfera; talvez tenha morrido de frio ou asfixiada quando se esgotaram as baterias de seu suporte-de-vida 7 dias depois do lançamento; talvez tenha sido por eutanásia, com gás ou comida envenenada logo após o esgotamento das baterias. São várias as hipóteses.
O Sputnik 2 retornou à Terra 163 dias depois (14 de abril de 1958), trazendo junto o corpo da pequena pioneira. Queimou durante a re-entrada, e Laika ficou sendo o único animal russo enviado ao espaço para morrer. Não havia um método de recuperação desenvolvido naquele tempo para este tipo de viagem.
Em 1998, Oleg Gazenko, um dos cientistas chefes do programa soviético de animais no espaço, expressou seus profundos pesares durante uma conferência de imprensa em Moscou: "Por mais que o tempo passe, mais eu lamento sobre isso. Nós não deveríamos ter feito aquilo... Nós não aprendemos o bastante dessa missão para justificar a morte do cão."
Bem, caros improváveis, confesso que é grande minha estima por essa cachorrinha.
Maiores detalhes sobre animais no espaço (como os cães que sucederam Laika) aqui.”
delirado por: AL EDUARDO
3:06:20 AM
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3.9.2004
“Noite estrelada
Antrônomos andam vendo semelhanças entre essas duas obras de arte. A da esquerda é o 'halo de poeira em expansão iluminado pela estrela V838 Monocerotis', obra das leis que regem o Universo e fotografada pelo telescópio espacial Hubble; já a da direita é o 'Noite estrelada', obra de Van Gogh.
Talvez exista de fato alguma semelhança, só que mais no conceito do que propriamente nas imagens. Van Gogh pintou um céu turbulento, grandioso, exuberante, em contraste com a singela vila (nós), enquanto o cipreste - a sinistra silhueta - sugere a morte (essa árvore possui tal figurativo).
Apesar de sermos os olhos do Universo, ele próprio é infinitamente superior e indiferente a nós. E acho que ambas as obras retratam bem isso.”
delirado por: AL EDUARDO
1:12:37 AM
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3.5.2004
“O misterioso Homem de Preto de Botafogo
Esta é uma foto rara, de um sujeito que por vezes é visto no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, e que possuiu características (de acordo com o 'Relatório Krill') que nos leva a crer tratar-se de um M.I.B., tais como:
"Homem de idade indefinida" - A aparência sugere algo entre 25 e 35 anos, enquanto o comportamento sugere algo entre os 5 e 15 anos!
"Altura média e vestido completamente de preto" - Com 187cm, pode ou não estar no limite da altura média, e pode ser visto sempre vestido completamente de preto.
"Sempre usa um chapéu preto, e freqüentemente um suéter dessa cor" - O misterioso M.I.B. de Botafogo está sempre com um boné (modelo italiano) preto e só não usa o suéter pois não demonstra demência a ponto de usá-lo no clima do Rio de Janeiro.
"Apresentam uma aparência várias vezes descrita como estranha ou curiosa" - Oh, se não estamos a descrever o misterioso M.I.B. de Botafogo!
"Aparência sombria, completada com grandes pomos-de-adão, lábios delgados, queixo pontudo e olhos ligeiramente oblíquos" - Quanto a aparência sombria, OK, mas apesar do misterioso M.I.B. de Botafogo não possuir grandes pomos-de-adão, lábios delgados, queixo pontudo e olhos ligeiramente oblíquos, é tão somente a exceção que confirma a regra...
"MIB tentam inutilmente comprar Coca-cola nas máquinas automáticas, e cantar para pássaros em árvores" - Procede; até as máquinas de refrigerantes costumam ignorá-lo e dificilmente (diria nunca) será visto cantando para pássaros em árvores!”
delirado por: AL EDUARDO
1:19:15 AM
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3.4.2004
“A foto de um M.I.B.!
Ainda no assunto de E.T.s e fotos misteriosas, não poderia deixar de citar os Homens de Preto (M.I.B.), criaturas responsáveis por silenciar testemunhas de seres e/ou artefactos alienígenas, e que possuem lá seu ar de graça quando vistos pelo ponto de vista folclórico.
Há quem acredite piamente na existência deles, como é o caso de Timothy Green Beckley (que acredita é em muita coisa...), o sujeito que bateu a foto que ilustra este poste, a única foto tirada de um M.I.B., segundo ele, que estava de tocaia em frente a casa do editor da revista 'Saucer News', cujo mote eram E.T.s.
Enfim, eis ai, improvável e incrédulo leitor, a (única) foto de um verdadeiro M.I.B.!”
delirado por: AL EDUARDO
3:25:55 AM
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3.2.2004
“A inusitada foto de Orville Derby
Os homens nesta foto são Orville Derby (esq.) e Teodoro Sampaio, sendo o primeiro conhecido como o pai da Geologia no Brasil. Orville fôra cidadão americano (1851, Kelloggsville, Nova Iorque) até quase o fim de sua vida, quando se naturalizou brasileiro. Pioneiro sob vários aspéctos, muito contribuiu para a ciência brasileira, mas injustiças e incompreensões acabaram por abalar seu espírito, culminando no que viria a ocorrer em um quarto de hotel (dos tantos em que vivera) no ano de 1915 no Rio de Janeiro, quando matou-se com um tiro na cabeça.
O trecho abaixo é retirado do livro de suicidas ilustres de J.Toledo:
"Lá [no quarto], surpresos com seu gesto, políticos e cientistas deram-se conta de não haver nenhuma foto recente do suicida famoso. Praticou-se então outra medida surpreendente: ali mesmo, no quarto do hotel, lavaram o cadáver, vestiram-no, sentaram-no, abriram seus olhos com palitos e afinal fotografaram-no. E essa é a foto oficial usada para as comemorações de seu centenário de nascimento e com a qual se estamparam selos e se cunhou uma medalha festiva em 1951."”
delirado por: AL EDUARDO
3:30:39 PM
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“E.T. - O Embuste Tratante
Topei pela Internet com este sítio, que possui fotografias, vídeos e documentos sobre E.T.s (seres extra-terrestres) e suas máquinas maravilhosas em ocultas visitas ao planeta Terra. Sou um entusiasta pelo assunto (a idéia de vida extra-terrena), mas de forma alguma por picaretas fraudulentos e pseudo-cientistas (quando não zen-cientistas da Nova Era).
Pois bem, neste sítio encontrei uma coisa que sempre quis ver, fotos de E.T.s (se há tanto de OVNIs, porque não de seus tripulantes?). A primeira coisa que me veio em mente, quando enfim vi, foi o Menino Crocodilo - não Toney, o rapaz com pele de crocodilo, mas sim a foto-montagem da criatura quimérica, metade menino, metade crocodilo.
Fui depois ao museu do embuste (um sítio que aqui mantenho em meu bloco de endereços), mais precisamente ao hoax photo gallery, ver se encontrava uma de E.T. por lá. Não tinha, mas há outras coisas curiosas para quem quiser ver.
Lembrei então do que talvez tenha sido a única coisa que vi indo contra a maré "I want to believe", que foi um vídeo do Arthur Clarke, o 'Arthur C. Clarke's mysterious world - UFO's/Strange skies', que desmascarava vários embustes, enquanto para alguns outros simplesmente respondia "não sei o que é isso".
Um rosto diferente, mas palavras que nunca mudam; é o que é a superstição.”
delirado por: AL EDUARDO
5:55:18 AM
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2.18.2004
“O berço dos super-humanos
A pergunta feita por um jornalista sobre o uso futuro de terapia genética em atletas é a seguinte: "Haveria mesmo algo de inerentemente imoral em usá-la? Afinal, algumas pessoas nascem com músculos naturalmente mais potentes. Por que seria injusto dar aos competidores uma chance de se igualar a elas?"
O contexto dessa pergunta pode ser encontrado nesta notícia aqui.
A naturalmente inferior opinião do Al é esta: Em nosso tempo, a única resposta que consigo imaginar é uma outra pergunta: Estará chegando, enfim, o dia dos semi-deuses?; filhos da deusa Scientia com os mortais?”
delirado por: AL EDUARDO
2:57:17 PM
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2.14.2004
“Fatherfucker
No poste abaixo comentei sobre a responsabilidade dos tradutores em tentar manter a obra traduzida fiel à original, e agora volto ao assunto, mas dessa vez falando do oposto, do erro na tradução acabar colaborando com a obra original (fato raro e subjetivo). E isso aconteceu em 'Blade Runner' (1982) de Ridley Scott.
No dramático encontro entre Roy e Tyrell, há um diálogo e tanto entre os dois. Naquele contexto de vida/morte, criador/criatura, Pai/filho pródigo, há uma fala, dita pelo Roy, que é (ou era) assim:
"Eu quero mais vida, Pai." (tanto na versão dublada quanto legendada, se bem me lembro) - Esse "Pai" é dito com bastante força, e não haveria de ser diferente, já que Roy está perante seu Criador, seu Deus, seu Pai.
Quando fui assistir a versão do diretor nos cinemas, reparei que haviam trocado a legenda para:
"Eu quero mais vida, seu canalha." - E foi então que me saltou aos olhos a força da frase original, a força de "Eu quero mais vida, Pai."
Fiquei puto com a nova legenda e praguejei horrores por longa data até assistir novamente a versão do diretor em VHS. E lá estava também o "canalha".
Apurei meus ouvidos e resolvi escutar que diabos ele dizia, afinal, no original. Não era "Father", era "fucker".
Sem querer, os antigos tradutores haviam tornado a tal fala ainda mais interessante, ao menos no meu entender...”
delirado por: AL EDUARDO
2:33:13 PM
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2.13.2004
“Lost in translation
Na lista Sputnik discutíamos a intervenção em uma obra já lançada. Foi então que me lembrei do quanto os tradutores podem fazer suas intervenções. Por exemplo, não acho tão interessante quando tradutores notórios derramam seu próprio estilo na tradução (basta ler as várias "versões" para 'O corvo' de Edgar Allan Poe).
Se por um lado Paulo Coelho se favorece dos tradutores para por em ordem sua qualidade gramatical, por outro os próprios tradutores podem corromper textos bem escritos e idealizados simplesmente por não serem devidamente competentes para o ofício. Infelizmente não é comum escolher o livro pelo tradutor. Por isso chamo aqui a atenção para essas pessoas de suma importância!
Tenho um exemplo bem simples, duas traduções oficiais de um mesmo trecho do conto 'We can remember it for you wholesale' (que aliás possui duas versões para o título em português), de Philip K. Dick:
No 'Recordamos para você por atacado' está assim:
"Lá, depois de obedientemente apertar o botão do café quente, sentou-se à mesa da cozinha e sacou uma latinha amarela de fino rapé Dean Swift. Inalou energeticamente, e a mistura Beau Nash aguiloou-lhe o nariz."
No 'Podemos recordar para você por um preço razoável' o mesmo trecho está assim:
"Depois de ter apertado obediente o botão de café quente, sentou-se à mesa da cozinha e abriu uma latinha amarela de rapé Dean Swift. Inalou com força, e a mistura subiu por suas mucosas nasais até queimar-lhe o céu da boca."
Agora no original em inglês:
"There, having dutifully pressed the hot coffee button, he seated himself at the kitchen table, brought out a yellow, small tin of fine Dean Swift snuff. He inhaled briskly, and the Beau Nash mixture stung his nose"
Isso foi o começo, e o conto termina assim (calma, não entrega nada):
No 'Recordamos para você por atacado':
"Eu poderia muito bem deixar de lado estes pacotes de artefatos comprobatórios, - McClane disse para si mesmo resignadamente. Ele caminhou, passo a passo, de volta ao seu escritório."
No 'Podemos recordar para você por um preço razoável':
"É melhor eu destruir os pacotes com os artefatos comprobatórios, pensou McClane, resignado, enquanto voltava lentamente ao seu escritório."
No original em inglês:
"I might as well put those packets of proof-artifacts away, McClane said to himself resignedly. He walked, step by step, back to his office."
Acho que perceberam que a tradução mais precisa com o que saiu da pena de Philip K. Dick foi a de 'Recordamos para você por atacado' (por Ricardo Gouveia), enquanto a outra mais parece um pastiche do texto original, e está sob a responsabilidade de Ana Luíza Borges.”
delirado por: AL EDUARDO
3:34:52 AM
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“Crimes anunciados
Saddam Hussein poderia ter produzido armas de destruição em massa - declarou George W. Bullshit tentando justificar sua pilhagem no Iraque.
E como ele agora anda pensando o mesmo sobre alguns outros países da região e de um já definido Eixo do Mal, só posso concluir que o belicoso biltre anda utilizando os serviços da Precrime (que é aquilo que lemos e/ou assistimos em 'Minority Report - a nova lei') para tirar suas conclusões.
O curioso é que o resto do mundo não precisa de precog algum para saber os crimes que Bullshit pensa em cometer...”
delirado por: AL EDUARDO
3:08:34 AM
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2.8.2004
“Que toda moral besta seja despida!
Incidente notório: o cantor Justin Timberlake rasgou, por acidente (afirma), o corpete da cantora Janet Jackson em um show que faziam no Superbowl (a grande final de futebol americano). O seio direito da moça ficou então visível para milhões de espectadores.
Consequência: a família de Justin Timberlake ficou bastante ofendida; a cantora Janet Jackson resolveu não participar do prêmio Grammy; uma das redes responsáveis pela transmissão poderá ser processada; a rede NBC resolveu excluir uma cena de sua série 'ER', em que era possível ver o seio de uma mulher idosa (afirmam que fizeram isso por conta da "atmosfera" criada pelo incidente com Janet Jackson); um novo recorde foi batido na Internet: a procura por notícias e fotos do seio direito de Jackson superou os eventos dantescos de 11 de setembro.
Opinião do Al: o Mundo anda muito brochante.
Enquanto isso...: o quadro 'Vênus apaixonada', de Ridolfo di Ghirlandaio (século XVI), foi restaurado à sua forma original: Vênus nua com seu filho Cupido lhe sussurrando caprichos. O fato é que uma roupa foi posteriormente acrescentada à deusa do Amor por conta da "rígida moral" da época. Quem quiser ver o "antes" e o "depois" é só clicar aqui.
Nota 1: o quadro que ilustra este poste é de Tintoretto, que pintou Vênus sendo desnuda por seu marido Vulcano. Singelo.
Nota 2: o primeiro incidente deste tipo envolveu a bela Jayne Mansfield, que deixou escapulir sua fartura no Oscar de 1957. Ah, que delícia deve ter sido!”
delirado por: AL EDUARDO
5:20:58 PM
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2.5.2004
“Os sete samurais da arte
Um dos diálogos que tive há muitos anos em uma famosa e prestigiada escola de desenho gráfico foi mais ou menos assim:
EU: Mas o cinema não é uma das artes visuais tradicionais?
PROFESSORA: Não.
Mais tarde vim a confirmar que sim, que está no mesmo saco do batik, da pintura e até mesmo da impressão. Soube também (ainda por conta própria...) que o cinema era uma categoria não só das artes visuais tradicionais, mas também da Fina Arte (donde é a sétima na ordem).
Recentemente teve uma discussão na Lista Sputnik onde se cogitou (ou se levantou uma velha questão) ser o cinema uma arte ou não. Tolice essa questão, mas que ilustra como há uma desordem no reconhecimento do dom mais característico do ser humano: o artístico, que lida com a sensibilidade e a criatividade.
E é por isso que escrevo essas linhas. Por causa dos professores obtusos e a valorização equivocada deles, das afirmações descabidas, dos ídolos de merda desprovidos de talento, da sensibilidade dissolvida em um meio cada vez mais fútil, do asséptico, do pseudo, do que tenho ouvido nas mesas de bar e do que tenho visto pelos meios de comunicação. E tenho visto! Ah, se tenho!
Que bicho me mordeu? Não conto! Mas eis aqui a Fina Arte, improvável leitor deste ploft, digo, blogt, digo, blog; a essência de tudo, os sete samurais (oxalá!) da arte, as sete maravilhas do espírito humano pois então:
1) Música
2) Teatro e ópera
3) Desenho e pintura
4) Escultura
5) Tecelagem
6) Impressão gráfica e fotografia
7) Cinema”
delirado por: AL EDUARDO
3:07:47 AM
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“Dito, feito e desfeito
Ainda no assunto das adaptações, resolvi fazer uma lista de alguns dos romances e contos de que gosto bastante e comentar suas consequências no cinema.
Numa busca rápida (por certo esqueci muitos), tomei 31 livros, cujo os autores são George Orwell, Arthur Clarke, Aldous Huxley, Antonio Tabucchi, Clarice Lispector, Philip K. Dick, Carl Sagan, Joseph Conrad, Albert Camus, Fiodor Dostoievski, H. G. Wells, Vladimir Nabokov, Emily Bronte, Mário Puzo, Edgar Allan Poe, Isaac Asimov, Bram Stoker, Robert Stevenson, Umberto Eco, Oscar Wilde, Robert Bloch e Peter Benchley.
Se algum desses interessar ao improvável leitor, e se o mesmo quiser saber minha descabida opinião sobre a questão, basta ir em Alimento para o espírito, os cocos na minha ilha (cujo a rota é esta).
Perdão por não colocar aqui no Blog Sputnik, mas é que ficou um pouco longo.”
delirado por: AL EDUARDO
12:16:43 AM
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2.2.2004
“Ao fã com carinho
Recebi alguns comentários em particular sobre o poste abaixo ('O retorno do rei, enfim!'). Alguns acharam que eu estava sendo duro com os fãs pós-filme, outros que eu falei mais dos fãs do que do filme. Bem, resumindo a ópera, eu disse que gostei muito do filme do Peter Jackson, que lamentei não ter lido os livros antes, apesar da recomendação dos fãs de outrora, e que estes mesmos fãs ficaram muito satisfeitos com o resultado, o que me agradou ainda mais.
O fato é que os "fãs de outrora" só tem a agradecer ao Peter Jackson pelo belo trabalho que ele fez. Vamos considerar que um diretor não deve nada ao fã de uma obra (deve muito mais aos produtores). Agradar a 2 "leigos" para cada 1 fã em desagrado, consola a consciência. E se agradar a gregos e troianos, perfeito!
Existem muitos autores, dos quais aprecio bastante, que renderam filmes ruins e personagens equivocados. Uma pena, mas vão-se as películas, restam-nos os livros. Se o improvável leitor estiver em minha ilha (cujo a rota é esta) leia em Alimento para o espírito (os cocos) a minha opinião sobre o filme 'A liga extraordinária'.
Por outro lado, fico um tanto quanto perturbado quando gosto de um filme adaptado (de uma obra que desconheço) e venho a saber, conversando com pessoas (não haveria de ser com minhas pulgas ou meus botões), que ele está muito aquém da obra original. O que fazer nesta situação? Das duas uma: ou assuma a versão cinematográfica e ponto final; ou leia a obra original e tire suas próprias conclusões.
A trilogia 'O senhor dos anéis' no cinema me lembra bastante o que ocorreu com a adaptação de 'X-Men'. Mesmo sem dever nada aos fãs, estes diretores os consideraram, tiveram respeito pela obra e quiseram (isso é importante) fazer um bom trabalho, enquanto o padrão é se fazer algo medíocre ou enlatado.
Converse com um fã satisfeito e veja que você vai dar ainda mais mérito ao diretor e à obra.”
delirado por: AL EDUARDO
3:20:56 PM
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1.29.2004
“O retorno do rei, enfim!
Finalmente fui conferir 'O senhor dos anéis: o retorno do rei'. E olha, depois de dois longos filmes, este ainda mantém o fôlego (e por vezes tira é o nosso) e se mostra ainda mais exuberante do que os outros dois; um espetáculo para os sentidos e instintos ver aquela turma cortando um dobrado contra o Mal. Este filme fez jus ao cinema digital, só pode existir por conta dele, como já afirmou Peter Jackson, que trabalhou com muito esmero este acréscimo na arte do cinema. A saga do Tolkien (o genitor deste mundo fantástico) é realmente muito boa. Uma pena eu nunca ter lido em todas as chances que não me faltaram.
Os fãs da obra, por certo, ficaram muito satisfeitos com o resultado na telona (salve, OK, detalhes aqui ou acolá). E falo dos fãs mesmo, daqueles que só podiam ler as versões americanas ou portuguesas, procuravam assistir ao desenho animado, que corriam atrás e alertavam: "Isso é muito bom, você precisa ler", não dessa turma que agora comprou toda a coleção de uma só vez como se há muito a apreciasse. Desculpem os improváveis leitores pela rabugice, mas há de se dar crédito para os fãs de outrora. Só nos resta, agora, concordar e deixar se encantar.”
delirado por: AL EDUARDO
3:57:28 PM
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1.24.2004
“mARTE
Se isto estive em uma parede, ao lado um discreto quadro diria:
"Foto-montagem com variações no
espectro químico de uma mesma tomada.
Foto: Sonda espacial européia Mars Explorer"
A assinatura? Bem que poderia ser a do gráfico Andy Warhol - o pastiche de artista, como, por precaução (acréscimo meu), diria Paulo Francis. A Mars Explorer conseguiu reproduzir a arte (sic) de Warhol com a graça de pinceladas impressionistas!
'Marte' - por M.E.P. (ESA)
Vou dar um jeito de ter isso em minha parede!”
delirado por: AL EDUARDO
7:19:44 PM
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1.20.2004
“Eu, robô cismado
Não é novidade que o clássico livro 'Eu, robô', de Isaac Asimov (gênio!), está para virar filme, estrelando Will Smith (?!). Gosto muito do livro, mas estou cismado quanto à sua versão cinematográfica.
O roteiro do filme 'Eu, robô' é, na verdade, baseado em um roteiro escrito por Jeff Vintar, chamado 'Hardwired' e que de nada tem que ver com o Asimov.
A Disney havia comprado o roteiro; depois adquirido pela Fox (a Disney acabou optando pela adaptação de 'O homem bicentenário', do Asimov). Quando mais tarde a Fox comprou os direitos do livro 'Eu, robô' (que é uma coletânea de 9 contos escritos entre 1940 e 1950), resolveu colocar elementos do universo robótico de Asimov - como as Três Leis da Robótica (formulada por ele e por John Campbell Jr.) e a personagem da Dra. Susan Calvin (a psicóloga de robôs) - no roteiro de Jeff Vintar. Naturalmente teria com isso um material mais comercial em mãos.
O roteiro original é uma história de suspense, em que um detetive humano investiga um assassinato, onde todos os suspeitos são robôs, computadores e hologramas (tem um quê de 'Blade Runner' ai, não?).
Talvez funcione..., mas visto o histórico, talvez não.
Enquanto isso, já está no ar o teaser do filme, que apresenta o robô Nestor (NS série 5) como o novo estado da arte em tecnologia robótica. À venda aqui.
P.S.: Vem por ai a adaptação cinematográfica de outro grande clássico do Asimov, a trilogia 'Fundação' e 'Caça aos robôs'.”
delirado por: AL EDUARDO
2:00:31 AM
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1.15.2004
“2004 não é como '1984'
Agora em 2004 (precisamente em 24 de janeiro) o computador Macintosh completa 20 anos (há boatos de que vem por ai um novo Mac, cheio de estilo - se bem que já o são por natureza - para a ocasião).
A Apple resolveu "relançar" então seu premiado comercial, inspirado no livro de George Orwell, '1984'. A diferença para o filme original (lançado no final de 1983) é que agora a moça carrega um iPod - inserido digitalmente em sua cintura. Um acréscimo bastante justo.
Quem quiser conferir esse brilhante comercial, basta ir aqui. E então você verá porque 1984 não será como '1984'. Genial.”
delirado por: AL EDUARDO
9:32:57 AM
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“Lúcifer venusiano
Enquanto todos os focos (radiotelecópicos) estão voltados para Marte, o cientista Don Mitchell resolveu, por conta própria, revitalizar algumas imagens de Vênus, dados transmitidos pelas sondas russas que lá foram há 30 anos.
Vênus é um planeta muito mais hostil do que Marte, com uma pressão atmosférica 90 vezes maior do que a nossa aqui na Terra e uma temperatura ambiente de 490ºc. Claro que estas condições já são o suficiente para gerar fenômenos surreais, como "chuva" de metal pesado. E foi nesse meio dantesco que as sondas Venera (respeito muito elas) fizeram as fotos da, até então, misteriosa superfície venusiana. Originalmente eram fotos com uma qualidade ruim, mas o belo trabalho de Don Mitchell resolveu isso, e agora temos imagens de Vênus como jamais tivemos.
Uma curiosidade sobre esse planeta é o fato de já ter sido chamado de Lúcifer pelos antigos gregos, por conta de seu brilho e sua costumeira presença no céu durante a alvorada. Como Lúcifer era filho de Aurora...
Se não fosse por seu exuberante brilho, provavelmente se chamaria Aurora (alguns ainda costumam chama-lo de Estrela D'alva, da alvorada). E foi esse mesmo brilho que lhe conferiu o nome de Vênus, a conhecida deusa da beleza (se bem que depois de os cristãos terem, na Idade Média, personificado Lúcifer como Satanás, o nome até que continuaria lhe servindo bem...)”
delirado por: AL EDUARDO
9:06:55 AM
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1.13.2004
“Assassinaram o pavão!
Essa foi enviada pelo Grande Lobo para a lista Sputnik (a mãe desse blog). Mais parece uma crônica com floreios bizarros, cujo título já foi sugerido pelo Grande Lobo, 'O pavão, o desempregado, os travestis e a FPJ'. Segue a nota:
RIO - A Fundação Parques e Jardins (FPJ) vai dar queixa, nesta segunda-feira, na 4ª DP (Central do Brasil) contra o desempregado Paulo Rodrigues de Oliveira, de 37 anos, que, na madrugada de domingo, invadiu o Campo de Santana e matou o inocente pavão branco que habitava o parque há 12 anos.
O desempregado, que acabou ficando entalado na grade do Campo de Santana, quando fugia com a ave morta debaixo do braço, continua internado no Hospital Souza Aguiar.
Um grupo de travestis, quando percebeu que o homem matara a ave partiu com socos e pontapés para cima do desempregado que acabou sendo retirado do local por PMs.
Oliveira operou o braço esquerdo para retirada de um pedaço de ferro da grade que ficou em seu braço. A queixa na delegacia acabou sendo registrada como agressão, mas os advogados da FPJ explicam que houve uma invasão e brutalidade contra um animal indefeso.
Os travestis sensibilizados (putos mesmo) com a desgraça do pavão, são a cereja nesse bolo bizarro. Agora, pôxa... com tanta cotia bem nutrida e até gatos dando sopa (ou rendendo uma) lá no Campo de Santana, foram assassinar logo o pavão? Desempregado vaidoso esse...”
delirado por: AL EDUARDO
1:28:58 AM
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1.10.2004
“Bizarrice pouca é bondage
Estava eu procurando umas coisas do Oscar Wilde na Internet quando me deparei com isto aqui. E... achei muito bizarro.
A presença do Oscar Wilde é por conta de um de seus aforismos ("Quanto mais o homem fala de si mais deixa de ser ele mesmo. Mas deixe que se esconda por trás de uma máscara e então ele contará a verdade."), que foi utilizado pela confraria bizarra para justificar sua existência.
Pelo que entendi, aquilo é um grupo (formado quase que totalmente por homens) que gosta de usar máscaras de mulheres, além de roupas etc. Eles parecem se conhecer (inclusive visualmente) somente pelos nomes de seus alter-egos femininos, fazem encontros e mantém a confraria. Leigo na questão, acredito que a origem esteja em algum fetiche da turma fã do latéx em aventuras eróticas.
Mas pense bem, improvável leitor; no final das contas eles são somente mais explícitos (e, sendo assim, mais francos) do que muita gente ordinária que anda indiscriminadamente por nossa sociedade, não? E sem que ninguém (ou quase ninguém) os considere bizarros...”
delirado por: AL EDUARDO
3:12:32 AM
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1.5.2004
“:(
A língua portuguesa deve ser uma das mais mal tratadas pelo Mundo afora, especialmente aqui no Brasil. Acho que isso ocorre quando poucos são os que vão reclamar a cultura herdada, basicamente por vias da literatura clássica. A influência de nossa linguagem atual está baseada na TV, na fala mal dita (com trocadilhos) e nos diálogos pela Internet.
Mas já faz tempo que andam dizendo que o Brasil é um país que não lê (inclusive por motivos socio-econômicos); o pior é que, quando o faz, geralmente é com uma literatura de baixa qualidade ou em pacotes para gêneros (como os "darks", góticos ou o que for, que possuem em sua "cesta básica" autores como Poe; e a turma "cabeça" ou "moderninha" que não deixa de ir ao café ou ao cinema sem um Pessoa embaixo do braço) o que não acredito ser a melhor forma de ler uma boa obra, por "obrigação" do meio.
Logo, não me surpreendo (apenas me aborreço) ao ler frases como esta que encontrei em um sítio na Internet: "mas issu naum ker dizer ke eu tow (...)". O improvável leitor há de considerar um possível mau humor em meu espírito. Pois bem, o pouco caso que se faz de uma língua rica como a nossa é algo que realmente me tira do sério. O brasileiro fala (e escreve) cada vez pior, e essas aberrações - muito utilizadas nas conversas pela Internet - apenas agravam a situação. Ou o improvável leitor deste meu horrendo "blog" acredita que não?
Houve um tempo (na pré-história de nossa língua) em que nem mesmo fazíamos o uso dos sinais de pontuação na escrita (Antônio Fraga refez isso com muito estilo e talento em seu 'Desabrigo'), mas ao longo da evolução, sinais, símbolos e pontuações foram inventados para melhor expressarmos nossas idéias, como os sinais que expressam, entre outras coisas, surpresa ("!") ou o que dá o tom interrogativo à sentença, o "?". A era da Revolução da Rede Mundial - a Internet - fez, no meu entender, sua contribuição, que seriam os conhecidos "emoticons", como o ":(" que está no título deste poste e que dá o tom de tristeza, lamentação.
É isso o que tinha a dizer e a lamentar sobre a moribunda língua portuguesa :(”
delirado por: AL EDUARDO
4:37:11 PM
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1.4.2004
“American way of dislike
O juiz Julier Sebastião da Silva é, até agora, o brasileiro mais ufanado de 2004. Isso porque, como bem sabe o informado e improvável leitor, por conta de sua determinação que obriga a identificação por foto e impressão digital dos americanos que desembarcarem nos aeroportos brasileiros, quase como se faz lá.
O motivo de orgulho é uma espécie de honra lavada, uma retaliação ao constrangimento que é imposto ao brasileiro que há de pisar em solo americano, orgulho de sermos uma nação que não se curva mais - principalmente perante os ianques que acreditam ser os donos do mundo. Essa é a opinião geral que tenho escutado; mas devo dizer que não compartilho dela.
A excelentíssima determinação me soou infantil (imatura) desde o princípio, e agora tendo a crer nisso em vista das consequências que acabam por ser contraditórias. Para não soar simplesmente como uma atitude reacionária, andam dizendo que este procedimento poderá combater a lavagem de dinheiro e o turismo sexual, entre outras coisas. Ora, e isso não é bom? Por que também não incluímos todos os outros países nessa lista então? E, sendo assim, não acabamos por justificar a determinação americana que tenta simplesmente se prevenir da sarna que procurou para se coçar? Eles tem muito mais motivos (até então não tínhamos nenhum) do que nós para andarem tão perturbados.
Não acredito que tomar a mesma atitude, de pouca simpatia, seja a melhor solução para nós. O Brasil é conhecido por ser um país pacífico, hospitaleiro, que, como o sujeito lá no alto do Corcovado, sempre irá receber o turista de braços abertos, até porque turistas nos rendem muito também. Se temos que assumir uma atitude americana baseada na retaliação (pois é isso), teremos também que escolher alguns para um tratamento ainda pior e lhes causar sérios constrangimentos? É o melhor que nossa cultura pode fazer, copiar o que consideramos o erro das outras? Simplesmente retaliar?
Os americanos devem ter lá seus motivos para incluir o Brasil nessa lista negra (quem sabe baseados na acusação de que exista uma célula terrorista no Paraná - fato que nunca foi provado), mas também não possuem motivos para um trato desqualificado com um cidadão brasileiro que esteja indo à seu país seja por qual for a razão. Gostaria que esses dois pontos pudessem ser resolvidos diplomaticamente, onde o Brasil pudesse mostrar sua soberania por vias de sua cultura que, diferente da deles, não visa inimizades, intolerância cultural ou atitudes antipáticas.
Com esta excelentíssima determinação, o Brasil acaba demonstrando uma tendência desconfortável: a assimilação do american way of dislike.
Acho que poderíamos fazer melhor.”
delirado por: AL EDUARDO
2:12:00 AM
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